terça-feira, 25 de outubro de 2016

O Dono da Bola

"Remember the day  I set you free, I told you could always count on me... From that day on I made a vow, I'll be there when you want me! Some way, somehow"
(Ain't No Mountain High Enough - Marvin Gaye)


A sua vida pode ser marcada de várias maneiras, mas as relações que você cria pelo caminho tem sempre por mais simples que seja um significado importante que dita mais além quem você é.
Henrique sempre foi muito direto e eu demorei tempo demais pra saber lidar com isso, na verdade se pensar bem acho que ainda não sei bem quando é sério sério, ou quando é aquele sério com tom de zombaria. Gente que brinca falando sério causa essas bagunças na mente de quem assiste tudo. Sempre o vi como o dono da bola, aquela criança que todo mundo quer no jogo porque é o dono da bola, e é mais ou menos assim. Não sei se é por conta de beleza física, e olha, esse aprendeu a ser bonito como nenhum outro, ou se é o jeito brincalhão e divertido como ele se aproxima dos outros. O fato é que ele é o dono da bola, todo mundo quer ter por perto, todo mundo quer estar ali perto dele.
Eu sou diferente, não sou bonita fisicamente, não que eu seja feia, mas bonita to longe de ser. Não sou a dona da bola e ainda sou aquela que nem se fosse saberia jogar direito. Mas sou divertida. E não sei se foi esse meu jeito de quem leva tudo numa boa ou se a maneira verdadeira com a qual me aproximo das pessoas, mas a real é que chamei atenção do dono da bola.
Mas como toda menina sem noção eu fiz o favor de tropeçar em uma pedra e cair com uma agulha por cima da bola estragando o jogo. Acontece!
A verdade é que depois da bola furada, dos rostos frustrados e dos pequenos e longos sermões, eu fui me transformando. Se continuo sem noção? Claro, tem coisas que não tem como mudar. Mas a maneira como eu vejo o jogo agora é muito diferente. Não quero mais jogar, isso só pra começar. Hoje eu busco mais o esquema tático, prefiro estar presente pra ouvir, fazer parte com o que me cabe, e entender como é que se faz pra jogar sem se ralar, sem cair por cima da bola, sem machucar o dono dela. Afinal, se o dono se machuca, o jogo acaba.
E assim vou levando, imaginando como seria se... e vivendo o que é. Com os dois pés cavados e enterrados no chão eu sigo contando histórias, dando conselhos, e fazendo algumas coisas sem noção. E assistindo sempre que posso o jogo do dono da bola, e aconselhando se assim ele quiser. A verdade é que sempre jogamos bem juntos o que quer que seja, ele no jogo prático e eu no esquema tático. Mas afinal é isso que dita a minha relação com o Henrique, o apoio mútuo seja qual for a partida, seja qual for o jogo. Não importando o quanto difícil seja o campeonato.

Obs.: Texto do projeto "Ali", para ver os demais textos e/ou continuação do diário/historia clique aqui!