domingo, 28 de fevereiro de 2016

Rascunhos de Uma Futura Senhora Idosa




Quando envelhecer depois de uma vida que espero ter sido bem aproveitada me sentarei na janela. Bem assim como me sento hoje pra ver o céu. 

Espero estar perto do mar
Você sempre teve razão não é? O mar é a porta da minha alma, e é um pedaço da tua.

Quando envelhecer talvez tenha lapsos de memória, talvez nem memória eu tenha. Mas ainda lembrei do mar, da lua, da janela e dos seus olhos. 
Lindos olhos que são janelas pra sua alma, lindos olhos que me cercam com sua beleza, lindos olhos que me concentram em ti.

Lembrarei do verde dos seu olhos, lembrarei de sua pupila aberta em flashes, lembrarei de como eles me transportam pra dentro de ti e me transbordam de mim. 
Seus olhos, janelas compostas de mar, mar porta de minha alma, onde o céu é azul com poucas nuvens, e muitos sorrisos.

Quando envelhecer me olharei no espelho, ainda confusa com o avanço da idade, e verei meus olhos, ainda jovens e cheios de ti. Se abro mão da primavera para que continues me olhando, abro mão da juventude para continuar a olha-lo. E olha-lo até que meus olhos se transformem em mar!

Quando envelhecer, ainda estarei a olhar...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Verdes



"E esverdeava o mundo (...), esverdeava tudo (...), esverdeava o mar(...), e fazia rir, fazia feliz, enchia de amor, e esverdeava o coração."
(Sarah Casasanta)

Existe uma pausa, dessas que sentimos o vento, aquela que é complementar ao ócio. E há silêncio. Coisas que só quem já esteve naquele lugar, sabe o que significa. É a pausa antes do “olá” ou antes do “senti sua falta”. E claro que como em todas as vezes ele veio. Na verdade já estava ali, mas por algum motivo dessa vez ele cismou com o outro lado. E de lá rompeu-se o silêncio. “Interessante esse lado do rio, você já viu? Tem outro tom de verde.” Claro que a pausa se quebraria, mas pra ele tudo bem. Ele pode tudo sempre.

Levantei pra atravessar, não me lembro de ter ido ao outro lado, mas é claro que por ele eu iria. E fui. Quando cheguei ouvi “primeiro um muro separando, depois um rio”. Eu ri respondendo “o rio não separa ninguém, e o muro só existe dentro da sua cabeça dura”. E em vez da bronca ele respondeu com um sorriso. Temos segredos ainda, alguns mal concebidos, outros apenas esquecidos. Era pra ser, mais uma vez, ali, naquele lugar que só pertence a nós mesmos. Nosso lugar? Nossa casa? Talvez ali seja o meu delírio, e só exista na minha cabeça dura. “Tem razão, o verde aqui é diferente, deixou seus olhos mais claros, ta tão bonito”. 
Ele riu, me puxando pra um abraço. E esverdeou meu dia...

Obs.: Texto do projeto "Ali", para ver os demais textos e/ou continuação do diário/historia clique aqui!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Al - par- gatas

                                 


Risadas extraordinárias e altas, super gargalhadas ecoam e faz do quarto pequeno uma vibração de alegria e cumplicidade. É tamanha a ordem que se estabelece que é possível ver as cores alegres a milhões de quilômetros de distancia. É tanta bobeira misturada com coisas sérias que ninguém além de nós entenderia. As minhas histórias, as suas histórias, e mais risadas.

A nossa maneira feliz de ver graça na vida.

Ah se as pessoas soubessem como isso faz bem, iriam se viciar nessa droga gostosa chamada amor. É, amor ta? E não é qualquer amor, é um amor que não termina, que não cobra, que não bloqueia a sensibilidade do outro.

Amor que faz esperar o silencio da resposta, é o amor que faz aprender palavras difíceis, é o amor que faz a gente morrer de dar risada, da cara do outro, e da nossa cara. Afinal por que não rir de si mesmo?

Ah se você soubesse a paz que você transmite, o mundo que você transforma a cada olhar (ou a cada olhaa), se percebesse no seu riso a risada mais gostosa, se observasse em suas observações sérias a minha forma atenta de absorver tudo. Aprender com você todo dia. Aprender com você de tantas maneiras distintas, mas aprender. E como eu gosto disso...

Risadas extraordinárias é a nossa melodia, e não é a toa que as horas passam sem que a gente note, quando a música é boa a gente não cansa de ouvir. E de você eu não me canso, nunca me canso.

Viu só? Esse a minha maneira melosa de dizer obrigada. Essa a maneira melosa de dizer que te amo. Essa a maneira melosa de te acalantar. E acalanto, só você deixar...