terça-feira, 27 de outubro de 2015

Ah Mar



Eu acordei, e tinha um nó, não soube desviar, não soube desfazer.
Esse nó me sufocava, me deixava sem ar, eu não conseguia falar, não conseguia me concentrar, não conseguia viver.
Eu sabia o que precisava fazer, eu sabia o que era necessário, então eu fiz.
Explodi, gritei, meus pulmões se enxeram, um sorriso se impôs e sobre o mar de sonhos meu amor se colocou.
Era o fim do sufoco, era o nó desfeito, expurgado em nome do meu amor.
Era a exposição da alma, era o amor gritado.
Era o amor antes contido agora libertado, e como qualquer ser a muito cativo, não se pode controlar.
Ele quer dançar por aí ao som de si mesmo.
Eu quero dançar ao som dele.
E quem sabe andar sobre as águas, sobre um mar de puro sentimento puro.
Quem sabe só ser...
É doce morrer no mar, se for de amor então é além, é belo.
Sem amor eu nada seria, sem amar seria menos que nada.
Seria o nulo, o vácuo, não seria...

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Ali



"Eu voltei pra minha sina, eu contei para uma menina que meu medo só termina é estando ali! Ela é suave assim, sabe quase tudo de mim. Ela sabe onde eu queria estar enfim"
(Samuel Rosa)


Era pra ser divertido. Entrei, peguei uma cerveja e procurei ali algo que fosse realmente relevante. Nada era. Uma explosão de batidas no peito me fez tremer, era meu coração quase explodindo de amor não compreendido, mas correspondido ao seu modo. Andei pela lateral sem pensar em realmente me aproximar do palco.
Curti o que podia ser curtido sem a aproximação do meu amor ao peito, desviei a minha atenção das inúmeras músicas que me levavam a ele, não queria ir até ele, queria ficar ali e curtir a música e o show ao lado de minhas amigas. Todas elas acompanhadas de seus amores e companheiros. Mas tudo bem, eu já me acostumei a estar sozinha no meio de todos.
Houve um tumulto particular em alguns momentos entre eles e por fim estava de fato só. Lá na frente o show animava os rostos e sorrisos cada vez mais verdadeiros apareciam. E eu, só. Decidi por bem curtir o show com quem interessava e que havia ignorado durante todo o momento, o meu amor, meu coração inquieto e repleto, meu peito que quase explodia de tanto sentimento. Me aproximei do palco.
Houve um acorde, e sutilmente a música me transbordou, chorei, cantando e pedindo aos sussurros, em uma súplica de que ele não me mate dentro de seu peito. E me notei acompanhada da explosão do meu amor contido. Andei um pouco mais até me encontrar cara a cara com o vocalista daquela banda que muito significa. Era quase o fim.
E assim, quando chegou o bis a minha voz ecoou, ali, gritando e pedindo a marca do meu amor, a marca que importava tanto. E então após um sorriso e uma piada ela soou. A nossa música, a música que me colocava bem ao lado dele, a música que sempre me lembrava da alegria de saber da existência do amor sincero, a música que me colocava ali, dentro daquele peito, dentro daquela historia, apenas contada, mas verdadeira e bela. E após a canção gritada, ele jogou um presente que veio a minha mão, mas que pertencia não só a mim, mas também ao Henrique. Era o simbolo de que tudo aquilo realmente havia acontecido. Eram os passos mudos de uma reticência as vezes tão barulhenta. Era a prova de que a vida é mesmo circular. Era dois em um só objeto. Era a resposta ao que sempre imaginamos. E continuamos a imaginar...



ps.: é tanto, é tanto, se ao menos você soubesse. Não pera! Ele sabe! rs


Obs.: Texto do projeto "Ali", para ver os demais textos e/ou continuação do diário/historia clique aqui!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Guerreiros da Esperança (Laskar Pelangi)

Esse ano no meu aniversário eu ganhei alguns presentes muito incríveis e estou muito grata pelo amor que recebi também. E hoje vim falar sobre um em específico. Eu ganhei de um casal de amigos que amo muitão um livro chamado "Guerreiros da Esperança".
Todo mundo sabe que não tenho muita paciência para compor críticas, sendo construtivas ou não, sobre as coisas que vejo ou leio. Mas nesse caso vale a indicação. Então vamos a essa belezura.
Título: Guerreiros da Esperança
Autor: Andrea Hirata
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 277

Sinopse: Eu sempre ouvia dizer que as crianças reclamavam de ter que ir á aula. Nunca entendi aquilo, porque, apesar da aparência miserável de nossa escola, nos apaixonamos por ela no primeiro dia. Bu Mus e Pak Harfan fizeram, com que amássemos o conhecimento. Quando a aula acabava, reclamávamos de ter que ir embora. Quando nos davam dez deveres de casa, pedíamos vinte. Quando chegava o domingo, nosso dia de folga, mal conseguíamos esperar pela segunda-feira.
A ilha de Belitung, na Indonésia, é riquíssima em recursos naturais, mas abriga contrastes sociais gigantes: de um lado, a grande empresa de extração de estanho, com suas modernas instalações e seus ricos executivos; de outro, o povo nativo, que vive numa miséria indescritível.
É nesse cenário que a jovem professora Bu Mus e o diretor Pak Harfan tentam garantir a seus dez alunos o direito inalienável á educação. Eles têm que lutar contra as mais diversas dificuldades, como o estado decrépito do casebre em que as aulas acontecem, as constantes ameaças do superintendente escolar e gigantescas escavadeiras, prontas para explorar o solo em seu terreno.
Porém, o maior de todos os desafios é insuflar naquelas crianças a dignidade e a autoconfiança. E nisso os professores são bem-sucedidos. Juntos, seus alunos aprendem o valor dos amigos, conseguem descobrir o que há de melhor em cada um e conquistam feitos inéditos para sua pequena escola de aldeia.
Com mais de 5 milhões de exemplares vendidos, Guerreiros da esperança se tornou o maior fenômeno editorial de todos os tempos na Indonésia. Em seu livro de estréia, Andrea Hirata no leva numa comovente viagem pela beleza das amizades de infância, pela pureza do primeiro amor e pelo poder de superação que só o exemplo e a educação são capazes de oferecer.

Pela sinopse imagina-se que a historia é cheia de lutas de classes e o quanto o mundo é injusto com os pobres aldeões. Mas não é assim. Na verdade a injustiça está lá na cara do leitor, a luta de classes ta lá na cara do leitor, a pobreza está estampada em todas as páginas, mas diferente do que se imagina, nada ta exposto como um fardo. Na verdade até o fim do livro os únicos que realmente se incomodam com a situação dos personagens somo nós, leitores, que se perguntam porque eles não saem por aí batendo panelas.
É uma história linda, que faz com que nos apaixonemos pelos personagens e acabamos por refletir no quão superficiais somos. Sempre tive escola, e já menti, até mais de uma vez para poder faltar e ficar em casa vendo desenhos animados. O quão idiota eu sou pra não notar a importância vital que a escola tinha e ainda tem para minha formação como ser humano. É difícil receber o tapa na cara que é este livro.
Meus amigos não sabiam que eu sou uma apaixonada pela Indonésia quando me deram este livro. Quando vi que era de lá fiquei super empolgada. Mas minha vida, como todas as vidas por aí entrou em contradições muito loucas e eu acabei adiando muito a leitura dele. E o que eu percebi, é que ele não é só indonésio, ele daqui, e de vários outros lugares do mundo em que crianças precisam abandonar, ou nem chegam a entrar na escola para ajudar a colocar comida na mesa. Mas eu, provavelmente você e muitos outros seres humanos não conseguimos perceber a sorte que temos de ter acesso. E agora, depois de ler essa história tão tocante e divertida, percebo o crime que cometem aqueles que tem acesso, mas o desejam. São estúpidos? Talvez...
Enfim, indico fortemente para todos essa maravilha. E se alguém se habilitar, em 2018 estarei indo passar uns dias na Indonésia e aceito companhia para essa jornada, que ganhou mais um ilha para ser visitada: Belitung.

Próximo livro: Excalibur -Bernard Cornwell

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Alento




As vezes para se começar um poema basta a rima.
Outras vezes somente colocar em estrofes os versos compostos. 
Ou então buscar no tema o refugio, o complemento.

As vezes uso da saudade o costume, 
outras vezes do costume o lamento 
e ainda outras do sussurro o momento.

E com momento termino, 
com sentimento contínuo, 
com amor e alento.