quarta-feira, 29 de abril de 2015

Joana

"Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho."
(Mario Quintana)


Era o nada e o tudo, misturados entre o externo e o interno. Preso, ali, dentro do que eu sou, dentro do que costumava ser. Cheguei por volta das 11:00, o céu estava lindo, completamente sem nuvens e o sol estava morno, gostoso e acolhedor. Era o clima perfeito.
Do alto era possível ver a ilha ao fundo, algumas poucas crianças brincando ali embaixo próximo a água, naquela praia perfeita e quase deserta. Desci pela estrada esperando ansiosamente ver qualquer coisa que transbordasse minha agonia. Ninguém conhecido por perto, ninguém por perto na verdade. E eu ali, sozinha.
Caminhei pela estradinha de chão batido, atravessei as poucas árvores até a areia e parei. As crianças não estavam sozinhas, uma senhora idosa as acompanhava, talvez mãe, provavelmente avó. Fiquei as observando um tempo, crianças são tão inocentes, tão felizes, impossível não se contagiar. Sorri e continuei, subi as pedras tão conhecidas e a muito não visitadas. Escolhi aquele canto ali, quase camuflada, em frente ao mar perfeito, com o som perfeito, até tartarugas apareceram, acredite, tudo era perfeito. Menos eu.
Um choro alto, aliviado, explodiu em meio ao silêncio barulhento que todo o ambiente produzia, era minha agonia transbordando, era minha alma sendo lavada pela minha imperfeição exposta. Pra quem? Pra mim.
Levantei, me despi de roupas e de culpas, corri e pulei em meio as tartarugas, então o mar me abraçou como num sussurro dizendo: Tudo bem...

Obs.: Texto do projeto "Ali", para ver os demais textos e/ou continuação do diário/historia clique aqui!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Eu me chamo Sarah - alguns anjos por aí #02




Li hoje: "Por força do hábito, habito em sua fraqueza". Pedro Gabriel compôs o guardanapo já famoso no "Eu me chamo Antônio". Eu me chamo Sarah e escrevo o que sinto agora, nesse exato cisco de tempo: Por força do hábito, hábito em minha fraqueza.
Há muito decidi criar esse espaço. Não para que as pessoas me admirassem, não sou admirável, não sou normal. Tem algo menos admirável no mundo do que a não normalidade?
Como não normal aprendi o que é loucura, e na loucura eu me encontrei algumas vezes. Por que sua fraqueza? Você perguntaria. E eu te respondo, estou sempre lutando contra os meus próprios monstros. Sim eu tenho monstros como tudo que é normal, mesmo não o sendo. E o meu maior monstro também é minha maior fraqueza. E esta é meu orgulho.
No momento atual qualquer pessoa comum e normal pediria ajuda. Correria para as montanhas chamada amigos, família, etc. E eu acho que eu deveria, antes que água transborde do balde, deveria sim gritar, implorar, suplicar ajuda. Mas para que montanha eu correria?
Parece melancólico e até melodramático, mas é só um sopro da minha real situação, o medo da exposição, o medo do orgulho ferido, o medo de notar que para eles o meu problema não tem significado. Pode parecer assustador, mas eu sempre fui a montanha, aquele ser que todos correm para vomitar seus problemas.Não me queixo, gosto de ajudar quem eu amo. E até quem não amo. Todos tem importância. Mas infelizmente uma montanha de carne e osso carrega pesadas cargas que talvez não devesse carregar sozinha. Existe uma expressão que diz "sofrer de véspera", usamos isso quando a ansiedade bate antes de uma prova, o medo vem antes da DR com o namorado, ou ainda o desespero antes de um resultado de um exame que pode mudar completamente a sua vida. Sofrer é uma palavra que pra mim é temporária. Sempre pensei em sofrimento como algo útil para o aprendizado e normalmente apesar da falta de normalidade eu sofro, mas nunca, nunca de véspera. A não ser agora, a não ser nesse cisco de tempo.
Esse espaço é a maior tentativa de não ser escondida, de não ser presa a minha fraqueza, de não ser uma escotilha trancada. Foi escrevendo que soltei meus maiores medos, minhas maiores dores, meu amor maior. E é escrevendo que sofro de véspera. É escrevendo que venço meu orgulho. É escrevendo que peço ajuda. Assim, ao meu jeito.
Eu me escondo tanto atrás de um sorriso que as vezes as pessoas esquecem que sou humana. Eu sou humana. Logo não sou perfeita, nem adianta eu tentar ser perfeita também. Sou completamente contra qualquer forma de perfeição porque buscar por isso é a cúmulo da normalidade. E eu, como disse, não sou normal.
Hoje eu tive uma das maiores crises de choro que já tive na vida. um choro que guardei desde o sábado. Meu pai dizia que uma hora de pingo em pingo o balde transborda. O meu falta um pingo.
Sempre tem um momento que as coisas desandam na vida da gente, que a carga fica pesada demais, alguns se apegam a Deus, eu não me apego a nada. Minha culpa, sempre me culpo. O que irritaria muitas pessoas. Mas é inevitável, nasci com a síndrome do poder de resolver tudo, o incrível e mais assustador é que normalmente não resolvo nada.
Quando meu pai morreu eu não tive culpa, mas me culpei, afinal se tivesse feito um pouquinho diferente teria salvado sua vida. E agora outra lombada que a vida me deu e que mais uma vez me deixou de mãos atadas, sem saber o que fazer porque no fim não posso fazer nada, além de esperar o fim da prova para saber o resultado. E infelizmente o resultado pode ser muito ruim, e pode vir de muitos lados. Tem tantos rascunhos de prováveis mudanças ruins guardadas nesse momento que talvez até justificaria. São tantos de uma vez que a chance de uma não acontecer é quase que um milagre.
Mas eu acredito em milagres. Mas isso porque não caiu o ultimo pingo. Torcer, esperar que isso não aconteça é algo que começou a cansar. Ta pesado demais e eu como não normal consegui piorar.
Não sei usar desculpas, muito menos sei me desculpar. Então aceitei o conselho dado por amigos que sem eu saber ouviram todos os meus lamentos e até choraram comigo: "Silencia. Silencia agora porque sofrer de nada adianta. Pode ser que o milagre venha, como pode ser que você seja o milagre, não sabemos que mudanças estão guardadas para você."
O problema é que mesmo em silêncio, as vezes grito por ajuda.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

História De Um Coração


Meu iate é massa né? E eu de comandante to linda! Arrasei! :p


Meu coração antes tão calmo, descompensado gritou: ELE ENTROU! ELE ENTROU! Mas a escolha foi minha. Em um mar de possíveis muros que eu poderia levantar eu deixei o caminho aberto. Deixei entrar e se acomodar; "uma rede aqui, o sofá ali no canto, os livros eu coloco pra lá" e pronto! Tomou conta do meu coração como sua própria casa e o protegeu a sete chaves de possíveis intrusos que "ahhh não vem não! Que esse coração já é meu".
E eu amei ter meu coração tão bem guardado. Como que numa admiração transbordada por um sorriso bobo! Simples como um sopro, mas como um sopro capaz de criar toda uma vida nova. Ele foi ficando, e as vezes se apertava e gritava: AIII CIUME! Mas sempre passava com um sorriso, uma música, ou um avião sendo jogado em cima de quem causava tamanho aperto no meu coração.
As coisas foram acontecendo, entre festas e choros no meu coração ele foi ficando. Até que um dia ele começou a pensar que talvez fizesse muito barulho e decidiu se calar. E então um silêncio tão grande se formou, ficou tudo tão quieto que cheguei a pensar que não existia mais nada lá! Não é possível tamanho silêncio, na certa ele foi embora...
Meses se passaram sem que meu coração não alterasse seu batimento nem um minutinho. Era tudo tão calmo que acabei por me mudar aos poucos. Comecei a me importar mais com as coisas simples do cotidiano. Experimentei, renovei, me joguei no escuro, mergulhei num mundo todo meu. Só eu e mais nada.
Então num susto, uma música me despertou! Senti todo uma súplica e meu coração gritou aos prantos: TÔ COM SAUDADE! E foi assim que me despi de todo meu orgulho e resolvi procurar pelo meu antigo inquilino. E no primeiro grito percebi, ele não tinha partido, não tinha se mudado, só estava esquecido no fundo daquele coração endurecido. Todo o TUM-TUM-TUM estava de volta, na simples menção de sua existência.
Mais amadurecido sim, mas mais palhaço e divertido que nunca! Mais leve sim, mas mais forte e indestrutível que nunca! Coração seu... e eu sua...

E um mar de possibilidades uma fui eu que escolhi: você!





ps.: vamos navegar? afinal voar a gente já sabe <3 p="">

pps.: Todo o "parabéns" do mundo não é suficiente! Mas vou imaginar que talvez o meu seja um pouquinho diferente dos outros e dizer: Parabéns! :p