quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Silencio e Barulho





Quando a gente se depara com
aquela vontade incontrolavel de falar: Te amo!
Aquele desejo insuportavel de gritar: Sou sua!
Aquela súbita falta de controle ao evitar dizer: Sou louca por você!

O travar dos lábios, os dedos trêmulos
o suor frio queimando na pele
e o coração dispara, alucinado
A respiração oscila, o olhar se perde
A rosto se avermelha, os olhos lacrimejam

E o medo de não se fazer entender
E o medo de não se fazer ouvir

O sorriso se abre torto,
a respiração se acalma aos poucos
e então as palavras são só palavras
já se fez entender, já se fez sentir

domingo, 18 de janeiro de 2015

A Força


"O lado negro não é mais poderoso, apenas mais rápido, mais fácil e mais sedutor"
(Yoda)


Era só um sábado de chuva, quer dizer, pra mim parecia sábado, e tinha chuva. O que fazer com crianças em um dia de chuva?
O nome dela era Helena e não Aline como imaginamos que seria, tinha 6 anos e desenhava lindamente. Ele não era Heitor, mas Bento, não tinha 8 anos, mas "quase 9" como enchia o peito pra dizer. Heitor era o cachorro, um vira lata de 9 anos. E completando a minha família perfeita, ali, jogado no sofá sem saber o que fazer, ele.
Ele olhou pra mim como quem diz: "E agora?" E eu dei um sorriso e disse: "Seus filhos..."; Ele se levantou e foi pro quarto, enquanto Helena pedia desesperadamente pelos papeis coloridos que haviam acabado. Ela poderia pegar uma folha em branco, mas "meus desenhos só fica bom no cololido mamãe"; "Ficam bons Helena, olha o plural. Não quer ajudar a mamãe a fazer bolo?"; "Não", respondeu emburrada.
Ao perguntar ao Bento qual sabor de bolo ele queria recebi um olhar de desdém tão grande que saí de fininho pra cozinha.
Enquanto me distraía com o bolo de chocolate ouvi uma algazarra imensa na sala, o Heitor estava enfurecido latindo para um Darth Vader que vinha do quarto com um sabre de luz dizendo: "Luke venha para o lado negro da força".
Bento pulou no sofá esbravejando frases de efeito que não fazia sentido algum, enquanto pegava seu sabre de luz para lutar com seu pai audaciosamente. Uma empolgação extraordinária tomou conta daquela sala, um golpe fatal de um Darth Vader que não lembra a altura que tem destruiu o lustre que caiu em cima da mesa, enquanto um Luke de quase 9 anos acertou o cachorro que saiu da sala choramingando.
E foi nesse momento que uma dama de 6 anos empinou seu pequeno nariz e disse: "Ah esse meninos"; "Esses meninos Helena, olha o plural".
Isso é a felicidade em sonho!

Obs.: Texto do projeto "Ali", para ver os demais textos e/ou continuação do diário/historia clique aqui!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Inteiros




Era como se a felicidade dependesse do quanto o outro estava bem. Mais que o ciume, mais que a dor da distancia. Era como se o sorriso do outro bastasse pro próprio sorriso surgir. Sempre foi assim, e agora mais que antes. Consigo me assustar diante das mudanças ocorridas, durante o tempo passado em meio a essas mudanças. Nunca fui muito crédula com relação a mudança causada por conta de uma outra pessoa, um outro você surgindo para agradar, para ser o que outro quer que você seja. Mas aí em meio a milhões de erros causados por conta dessa mudança imposta por mim mesma, perdi. E aí sim, percebi o que era distancia. Aí sim, percebi que a minha alegria era só o estar feliz dele. Aí sim, percebi ali, que a alegria dele tem um pouco da minha.
Se contasse de repente que eu já sabia, que já tinha total consciência de que o amaria assim, agora e daqui a 1000 vidas, ainda assim não seria surpresa. Porque sempre foi mais que só amor, sempre foi mais que um toque, em pensar talvez que o toque seria somente um toque a mais no amor que já existia antes que viéssemos nessa vida; ou em outra também, quem sabe? A verdade é que sempre foi mais que palavras e as vezes elas nem precisavam ser ditas para saber o que dizíamos. Hoje não é diferente. Mas hoje existe a consciência do ser, existe o saber respeitar, existe a cumplicidade tão forte quanto o amor. Hoje vai além da vontade, vai além da saudade, não é necessidade é precisão. Precisar saber, precisar ser, sorrir e viver pelo outro. Mesmo que o outro só saiba por meias palavras. As vezes pra que completar a frase? As vezes um "olhaa" já basta, as vezes nem precisa do "olhaa". O "Te amo" contido no "Se cuida", o "to com saudade" descrito no "boo". É só amor, com mil pitadas de mil temperos nossos. É só nosso mundo fazendo de nós dois os únicos loucos a entender, ou nem isso. É só um mundo, em que nos encontramos pra ser aquilo que sempre quisemos ser. Não precisamos mudar o mundo se hoje já temos o nosso, com poucos amigos reais e muitos por nós mesmos criados. Pra que falar se no silêncio a gente já se entende?! Se nossos pensamentos conseguem ser mais rápidos que as palavras?! Pra que tentar fingir o que sabemos que não tem mais jeito? Que ta tatuado na alma e levaremos pra sempre?!
É por essas e outras coisa que provavelmente ninguém irá entender o que hoje eu digo: A minha felicidade é ele. A minha alegria é ele. E o meu medo, esse já não existe, não exite o livro meio aberto, não existe o meio eu. Agora existe eu por inteira. E a culpa é só dele!

Obrigada por me ajudar com as pedrinhas e por cuidar de mim sempre!

Te amo!