terça-feira, 12 de agosto de 2014

A Primeira Letra

Não me lembro mais qual foi nosso começo. Sei que não começamos pelo começo. Já era amor antes de ser.
Clarice Lispector


Dizem que pra começar uma historia deve-se apresentar a que veio o personagem. O que o personagem gosta, o que o personagem quer. O inicio da historia deve ser uma prévia do que se pode esperar dela.

Bem, essa é a minha história e sinceramente não quero dar uma prévia de mim mesma. Não quero e não vou! Quanto ao que vocês podem esperar dela (da história), eu não sei, eu não espero grande coisa. Espero apenas começa-la. Agora.

Meu nome é um mistério, mas ele se chama Henrique. Nunca gostei muito desse nome, na verdade não é um desgosto pelo nome, é só uma falta de gostar mesmo. Henrique não combina muito com ele, talvez devesse ser composto, eu gosto de nomes compostos, porque eles são radicalmente dois, e não sei se é porque tenho apenas um pequeno nome, mas acho um máximo ter a oportunidade de se apresentar de 3 maneiras distintas usando seu nome próprio e eu com um, não posso. E pra piorar nem apelido tenho, quer dizer tinha, até ele aparecer no som da voz dele. 

Conhecer uma pessoa da maneira mais extraordinária do mundo e mesmo assim não a conhecer pode ser ainda mais extraordinário, e foi assim que o conheci. Ali. Foi assim, ver, pensar e falar coisas completamente diferentes. O vi, normal a meu ver, com belos olhos, mas nada demais, pensei "ele não me é estranho" e falei "lindos olhos" e guardei o resto da frase pra depois da resposta dele! Naquele momento, não pensei que ele seria o responsável por toda a mudança que aconteceria em mim.

Lógico que a resposta veio e com ela uma negociação maravilhosa sobre, filhos e olhos, sorrisos e bochechas, narizes e datas pré definidas de ter ela ou ele, ou os dois. Com os olhos dele, o meu nariz, o sorriso dele, as minhas bochechas. As nossas gargalhadas, e nosso senso de humor. Não acho comum conhecer pessoas já decidindo como serão nossos filhos, mas uma conversa despretensiosa é o que faz ser mais divertida e leve. Óbvio que não percebemos nada do que iriamos ser depois daquele momento. E não fomos nada além de nada durante alguns meses. Até que um dia, nos encontramos de novo.  


Obs.: Primeiro texto do projeto "Ali", para ver os demais textos e/ou continuação do diário/historia clique aqui!