domingo, 12 de dezembro de 2010

O Livro

No trem sempre tem alguém com um livro. Normalmente vemos livros religiosos e chatos, aparecem alguns sombrios também e claro sempre tem os romances.
Ciranda de corações era o nome do livro na mão da menina, fiquei observando os olhos dela passando pelas palavras e como eu, ela mexe os lábios quando lê. Não me parecia do tipo romântica, era bem machinho na verdade,  acredito que justamente a soma do mulher macho mais ciranda de corações que resultou na minha atenção presa a atenção dela.
Não sei de que autor era o livro, talvez encontrasse com facilidade na Internet, mas prefiro não saber, afinal minha atenção estava presa nas mãos, nos olhos, na boca, na expressão de quem o lia. Podemos descobrir muito sobre as pessoas através dos livros que elas escolhem. Mas podemos saber mais ainda quando a vemos ler o livro.
Ela é romântica, frágil, gosta de cuidado e historias melosas com finais felizes. Ou não! Mas o que importa é que ao mexer a sobrancelha, ou dar um sorriso de canto de boca ela seguia pelas páginas mostrando seu interesse pelo livro, o seu encanto pelos personagens e deixando de ser uma figurante na minha historia por alguns momentos enquanto o trem percorria o trilho, e foi se tornando uma personagem que logo mais ia sumindo conforme as estações surgiam. Em Olinda desceu o livro na mão da menina e ela sumiu da historia.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O pescoço

Fiquei observando o pescoço, não que não tivesse mais o que olhar, mas ele me chamou a atenção, me prendeu. Não era um pescoço bonito, não era nem uma pessoa bonita. Eu estava no trem, não sei se já tiveram a oportunidade de pegar um trem na Central do Brasil com destino a Japeri as 18:00 - Não que seja infernal, mas chega bem perto.
Tinha tanta gente junta dentro daquele vagão que fiquei presa entre uma loira gorducha e a dona do pescoço.
O pescoço era gordo, negro e tinha uma pinta. Fiquei observando suas linhas e pensava como era bonita a cor daquele pescoço. Tinha vários tons de negro, as dobras eram escuras enquanto  a parte que chega as costas era mais clara. É estranha ficar perto de algo que quer estar longe. Esse era o caso. Ele nem era dos piores pescoços que já tive a oportunidade de conhecer no trem, era limpo e cheirava bem. Pertencia a uma senhora negra, gorda e muito bem vestida que para minha sorte desceu na primeira estação. E lá se foi o pescoço pela plataforma na Engenho de Dentro e eu feliz segui viagem a observar um livro...
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